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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Depois de três anos Vila Itororó reabre com Projetos Culturais

Localizada no bairro da Bela Vista, São Paulo, a Vila Itororó reabriu em maio depois de três anos para apresentar projetos de atividades culturais para a população.
Foto tirada por Tatiane Mello da janela do Canteiro Aberto

A revitalização começou em 2014 com a limpeza e estabilização das construções. Casas foram demolidas dando mais espaço ao terreno, pois depois de 37 anos do primeiro projeto de transformar a vila em um complexo cultural, finalmente começa a sair do papel. Serão restauradas algumas casas, a piscina e o palacete que compõe o local.
“Para mim, soa como uma desculpa para esvaziar mais o centro e viabilizar investimentos altamente lucrativos em uma quadra hipervalorizada da cidade”, afirma a especialista em cultura Aline Fidalgo. E emenda: “Ninguém ainda levou a público o que de fato, será o futuro da Vila Itororó. ”
Após as obras, esses espaços poderão ser ocupados com atividades artísticas e laboratórios. Mas, já foi inaugurado, o primeiro local cultural, o Canteiro Aberto, que é um galpão que fica na Rua Pedroso, sendo que a Vila histórica, fica de fundo para o espaço. No canteiro, é apresentado palestra sobre a história da vila, tem apresentações teatrais e de dança, conta também com aula de ginástica para os moradores do bairro. Todos podem visitar o local e apreciar a Vila Itororó da janela do Canteiro Aberto.
A vila foi construída entre 1922 e 1929 pelo comerciante e empreiteiro português Francisco de Castro, com a proposta arquitetônica de ocupação do espaço público pela comunidade. Castro usou parte do material do Teatro São José, que foi demolido em 1920, para construir o local.
Esse nome é em homenagem à nascente do Riacho do Itororó – que ficava onde hoje, se encontra a Avenida 23 de Maio, e que abastecia a piscina da vila, a primeira particular em São Paulo.
“A vila era administrada pelo proprietário Senhor Castro, que tratava bem as pessoas, era sorridente, gostava de festas, fazia com que todos se sentissem da família, e era justo no aluguel. Morreu velhinho. E depois que a herdeira começou a administrar o local, os problemas começaram. ” Conta o Senhor Carlos, que morou na vila até o começo dos anos 70.
Em 2002 a Prefeitura de São Paulo finalizou o processo de tombamento e entrou com outro pedido, a desapropriação contra a proprietária do local. A luta continuou até 2012, pois os moradores não queriam deixar o local. Mas em 2013, todos foram retirados e alguns alocados em apartamentos do programa CDHU.
“Da sacada da casa do meu avô José Vessoni, morador da vila nos anos 80, estatuas me observavam com aqueles olhares fixos que pareciam contar histórias, enquanto o tempo lhe arrancava pedaços. ” Diz, Eduardo Vessoni, neto de um ex-morador da Vila Itororó.
De acordo com o cronograma que está disponibilizado no Canteiro Aberto, as obras vão até 2018, e irá contar com um bicicletário, uma horta e uma cozinha aberta ao público. Com o tempo de convivência entre moradores da região e a Vila Itororó, a Prefeitura espera receber mais sugestões para incorporar o projeto.
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